01/10: O Diagnóstico e a Autoaceitação

 Receber o diagnóstico de autismo em 2023, aos 31 anos, foi um divisor de águas na minha vida. Nasci em 1992 e, durante três décadas, vivi sem saber quem eu realmente era. De início, a notícia não foi fácil de processar, mas hoje ela é a base da minha leveza.




Três décadas de máscaras

Passei a vida inteira tentando mascarar minhas dificuldades para parecer "normal" perante a sociedade. Eu me cobrava excessivamente para interagir com pessoas da minha idade e para agir como se esperava de uma mulher adulta. Nesse processo, ouvi de muitos psicólogos que eu era apenas "imatura". Essa palavra pesava, porque eu sentia que, por mais que me esforçasse, nunca alcançava o nível de maturidade que os outros exigiam.


A descoberta aos 31 anos

Foi somente em 2023, através de um psiquiatra, que finalmente veio a resposta: eu não era imatura, eu sou autista. Entender isso foi como tirar um peso enorme das costas. O que chamavam de imaturidade era, na verdade, a minha forma de processar o mundo, que é diferente da maioria.



O caminho da autoaceitação 

Hoje, aos 33 anos, estou aprendendo a deixar as máscaras de lado. Com o apoio da terapia e da medicação, estou conseguindo controlar a ansiedade que me acompanhou por tanto tempo.

Interagir com outros adultos ainda é um desafio e eu ainda me cobro bastante nisso, mas agora entendo que meu desenvolvimento e meu tempo são únicos. O diagnóstico tardio me devolveu o direito de ser eu mesma, sem precisar me desculpar por não ser igual a todo mundo.


Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Bem-vindos ao Entre Passos e Pensamentos

Assim me despeço de você